Palavras e expressões regionais

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Aprender um pouco sobre o lugar visitado é parte da viagem. A língua falada é um desses aspectos. Ir para a Inglaterra, Estados Unidos ou Austrália sem saber nada de inglês pode ser uma experiência difícil, e o mesmo se aplica sobre o francês e a França, Valônia (área francófona da Bélgica) ou a província do Quebec no Canadá. Já até falei isso aqui. Por outro lado, visitar esses locais é a oportunidade de expandir o vocabulário na língua, aprendendo palavras e expressões regionais. E quem disse que o mesmo não acontece dentro da própria língua?

Um avião sobre trilhos. Dizem que, em Minas Gerais, avião é um trem que voa. Créditos: StockSnap (Domínio Público).

Um avião sobre trilhos. Dizem que, em Minas Gerais, avião é um trem que voa. Créditos: StockSnap (Domínio Público).

Durante meus contatos com pessoas de outros estados (sou de SP) aprendi novas palavras do nosso querido português brasileiro. Seria impossível listar todas diferenças linguísticas, mas vou apresentar parte delas aqui. Não saber as palavras usadas numa determinada região não é algo terrível, mas pode ajudar na hora de pedir informações. Talvez a lista tenha um certo viés para o “português paulista” e, caso você ache isso, que tal comentar com os termos locais da sua região? Bem, vamos à lista:

  • Agorinha: há pouco tempo. Ouvi essa em Goiânia, onde, a propósito, eles usavam também para se referir a um tempo futuro (Ex.: agorinha vou te atender).
  • Bolacha/Biscoito: essa já tem discussão demais na Internet. Mas custo a aceitar que bolacha seja um tapa na cara 😛 .
  • Busão: ônibus de linha. Ex.: qual é o busão que vai para o centro da cidade?
  • Calçada/Passeio: aquele lugar por onde o pedestre anda para não ficar na rua pode ser a calçada de SP ou o passeio lá de Minas.
  • Carriola/Carrinho de mão/Carroça: aquele carrinho usado por pedreiros para carregar materiais pesados. O carrinho de mão de Goiás e outras regiões parece bem normal perto da “carroça” que um amigo de Alagoas mencionou uma vez (carroça não é só para cavalos?).
  • Cobrador/Trocador: acho que no Rio de Janeiro a pessoa que cobra a passagem no ônibus é o trocador.
  • Custoso: uma pessoa difícil de lidar, teimosa. Geralmente usado para descrever uma criança.
  • Geladinho/sacolé/chupe-chupe/entre outros: aquele “suco congelado” que é tomado em saquinhos.
  • Guardanapo: um objeto de papel usado para limpar a boca ou pegar alimentos (lembra do nosso post sobre o assunto?). Em SP, também é o termo para aquele pano usado para secar as louças, chamado por outros de pano de prato.
  • Lapiseira: em SP, é uma espécie de “caneta” que usa cargas de grafite e funciona como um lápis. Mas minha amiga de Pernambuco disse que lapiseira, para ela, é o que eu chamo de apontador. E o que eu chamo de lapiseira ela chama de grafite. E o que eu chamo de grafite ela chama de grafite também. Confuso, não?
  • Lavar a louça/Lavar vasilhas: o segundo ouvi em Goiás. Qual delas você lava depois das refeições?
  • Quantas horas?: jeito goiano de perguntar o horário. Em SP alguém na rua pode corrigir dizendo “Que horas são?” antes de informar a hora.
  • Padoca: padaria em SP.
  • Pipa/Papagaio/Raia: aquele brinquedo de crianças que pode ser uma arma se usado com cerol. A propósito, nada de cerol, ok? Voltando ao vocábulo, já ouvi “a pipa” e também “o pipa” (o último achei meio estranho, e ouvi ambos em SP).
  • Rensga: mais uma de Goiás. Uma interjeição de surpresa. Eu acho meio difícil pronunciar. Ex.: rensga, o Brasil tá perdendo de 7×1!
  • Se pá: esse eu uso muito e muita gente de fora de SP não entende. É um sinônimo para “talvez”.
  • Trem: um veículo que se movimenta sobre trilhos. Em algumas regiões é um sinônimo para a palavra “coisa”.
  • Vina: termo para salsicha lá em Curitiba. Vai aí um cachorro quente com uma ou duas vinas?

Gente, sei que existem mais centenas de palavras que poderiam estar aqui, mas o objetivo não é ter uma lista exaustiva. E você, que palavras usa que os outros não entendem? Ou que palavra você já ouviu e demorou a entender o que era?

4 comentários sobre “Palavras e expressões regionais

  1. Kamila Andrade

    Na minha terra varal = arame.
    Em SP quando você pede desculpas ou agradece a pessoa reponde com “imagina”. Não sei se isso ocorre em outros lugares, mas para mim foi novidade.

      1. Rodrigo Autor da Postagem

        De ontem pra hoje já ouvi “geladinho” = “laranjinha” = “flau”.
        Vou precisar atualizar este post qualquer hora, rs.
        Obrigado pelos dois comentários Kamila e Thais!

  2. Rafaela Prado

    “Imagina” também foi nova pra mim!

    Em brasília a gente chama o “geladinho” de dimdim. Tem dois termos que a gente usa lá que costumam achar engraçado quando usamos aqui. Um deles é “pardal”, que é como nós chamamos o radar de trânsito. O outro é balão, que é como chamamos as “rotatórias”.

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